O Evangelho Restaurado

por Clara Olga Santos

Foi após uma comemoração natalina, há muitos anos, que senti um vazio muito grande. Os convidados saíram e, com eles, todo aquele alarido, barulho e sons de vozes se misturando se foram. Ficou o silêncio; sentia-me muito só. Elevei o meu pensamento aos céus. Disse o quanto estava infeliz; disse que sabia estar fazendo tudo errado, mas que queria acertar. Pedi que me indicassem o caminho, que me ajudassem.

Alguns anos se passaram e, no seu próprio e devido tempo, o Senhor respondeu a minha oração. Um ex-aluno, que havia se formado há alguns anos, aproximadamente uns quatro anos, veio visitar-me na Páscoa de 1990. Fiquei feliz com a visita. Conversamos bastante e o assunto de religião veio à tona. Ele me falou de sua igreja enchendo a boca, como se estivesse saboreando um doce gostoso: “Sou membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”. Senti vontade de rir interiormente, pois sabia que ele “não era um santo” e, paralelamente, pensei: “Olha o que homem está arrumando para enganar o povo, santo dos últimos dias”. Falou-me mais sobre a Igreja e informou-me que dois rapazes me trariam um livro onde aprenderia mais. Em princípio, concordei em receber os rapazes, pois da nossa conversa surgiram muitos pontos em comum com a doutrina espirita, o que me motivara a ler o livro. Por outro lado, fiquei apreensiva em receber “os crentes” em minha casa. Os rapazes fizeram várias tentativas, até que um dia, ao chegar na esquina da rua em que moro, deparei com eles em frente a minha porta. Não deu para fugir, pois a vizinha apontara em minha direção. Recebi-os em casa, e recebi também um exemplar do Livro de Mórmon – Outro Testamento de Jesus Cristo. Eles me perguntaram o que faria para saber se o livro era verdadeiro. Disse que o leria, mas o fiz com o único objetivo de despachá-los. Coloquei o livro sobre a estante com o propósito de devolvê-lo assim que voltassem e informassem o preço. Afinal de contas, não o tinha lido e não seria preciso pagar por ele. A estante ficava num lugar de passagem constante. Toda vez que passava por ali, olhava para o livro. Ele me atraía; achava-o bonito. Abri aleatoriamente e li um versículo que dizia que, ao nos batizarmos, recebemos o Espírito Santo para nos guiar e orientar. Fiquei intrigada, pois nunca lera em lugar algum sobre aquele assunto. Também não me lembrava de ter minha vida um dia sido guiada pelo Espírito. Decidi abrir o livro e ler o prefácio. Foi o suficiente para varar noites lendo o conteúdo. Era como se estivesse com uma sede imensa. Aquilo era tão diferente de tudo quanto já havia lido. Quanto mais lia, mais queria ler. Quando cheguei em 3 Nefi, já sabia da veracidade do livro, mas o que decididamente me converteu foi o Livro de Éter e a história do Irmão de Jarede.

Comecei a receber as palestras e, muitas vezes as coisas que pensava contestar, via-me explicando-as de uma forma clara e concisa. Costumava dizer aos missionários: “Quando vocês estão aqui, há um clima muito suave… não sei explicar, uma porção do Espírito do Senhor está aqui; quando vocês se vão levam consigo este sentimento muito bom…” Meu batismo foi marcado para o dia 09.11.1991. Na véspera, tive arrombado meu armário na escola. Fiquei muito irritada e falei um monte de coisas que não devia. Quando estava no auge de minha irritação, senti que algo saiu de mim. Foi como se tirasse o ar de uma panela de pressão. Senti-me aflita e angustiada após isso. Foi como se voltasse aquele sentimento de angústia e solidão que sentira ao buscar os céus, muitos anos antes. Como poderia me batizar no dia seguinte? Eu já aprendera, então, os passos da oração. Pedi ao Senhor que me perdoasse, disse que estava arrependida por dizer aquelas coisas tão ruins. Após algum tempo, aquele sentimento bom voltou e pude ser batizada no dia seguinte. Saí de casa com destino à capela em prantos; precisei parar o carro no caminho para me acalmar. Não sabia porque chorava, mas sabia que queria receber o Espírito Santo para conduzir o meu caminho. Após sair das águas do batismo, o calor no corpo, a visão de um novo mundo, uma nova vida.

O Senhor atendeu à minha oração. Hoje, ser membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, saber qual é o propósito da vida, saber de onde vim, para onde vou, saber sobre a restauração do Verdadeiro Evangelho de Cristo na terra, saber que o Pai Celestial me ama, que Ele vive e que conduz o seu povo aqui na terra, são grandes bênçãos em minha vida. Sou grata ao Pai Celestial por conhecer a sua Verdadeira Igreja. Sou grata pelos missionários que, em dupla, levam as boas novas em todo o mundo e em especial agradeço aqueles que me batizaram, Élderes C. Santos e M. Lima, e ao meu aluno, Fábio Luiz de Melo Teixeira, por compartilhar comigo esta grande bênção. Este testemunho deixo em nome de Jesus Cristo, amém.

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